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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Deu merda


Estava curtindo o sol na praia do Farol da Barra e a todo o momento passava por mim vendedores ambulantes vendendo queijo coalho, fiquei com medo de comprar, porém o cheiro que subia dos queijos sendo assados na brasa para as pessoas ao redor me deixava louco de vontade, então não pude resistir, apesar do medo de ter uma dor de barriga. Afinal o sol estava de rachar e essa é uma das praias onde o calor é mais intenso devido ao muro de pedra que separa a areia do asfalto, um pouco acima do nível da areia.


Sabe aquele ditado: “dor de barriga não dá um vez só”, pois é Já perdi as contas de quantas vezes tive uma, sou um servo da latrina sempre que ela me chama eu compareço o problema é que ela só chama nos momentos mais inusitados, lembro de uma vez ainda adolescente quando pela manhã peguei um buzú lotado pra ir à escola no bairro da Ribeira e apenas alguns pontos após a dor de barriga chegou, nossa eu suava frio, tinha vertigem e arrepios constantes, pedia a Deus pra chegar logo na escola. Nesse momento você confessa todos os seus pecados e pede perdão a Deus.


Quem já passou por isso sabe do que estou falando, é assim mesmo. Quando estava chegando próximo a escola, faltando uns três pontos apenas senti que não conseguiria chegar lá e pensei, “deu merda”. Saltei correndo do buzú e invadi o Shopping da Ribeira que ainda estava fechado aquele horário, passei correndo pelo segurança que me seguiu desesperado e eu mais ainda e gritando “não sou ladrão só preciso ir ao banheiro” e ele me mandando parar... imagina... Parar uma porra pensei... Entrei no banheiro e sentei no trono amigo, sim nesse momento ele é amigo.


O segurança veio com uma conversa dizendo que infelizmente eu não poderia permanecer no local, creio que não acreditava que realmente eu estava com dor de barriga ou diarréia, até que ele ouviu uma explosão daquelas - acredite - eu estou contando isso, então ele saiu do banheiro e me deixou concentrar em paz, deve ter ficado com pena de mim. Ainda bem, pois cagar conversando é dose.


Ah não venha me dizer que você defeca, todo mundo caga, ninguém defeca ou faz fezes, caga mesmo, afinal se não cagasse ninguém seria chamado de cagão ao fazer nas calças. Enfim, esse queijo coalho me fez relembrar este momento cômico da minha vida, pois passei minha tarde todinha sem poder sair do Shopping Center Lapa, pois lá havia vários tronos amigos.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Travesseiro PET


Passeando pelo Morro do Cristo, observei o mendigo deitado à sombra de um coqueiro na maior liberdade e tranqüilidade de um dos locais mais lindos da cidade. Próximo a ele, havia uma dupla de policiais fazendo o policiamento ostensivo, lhe garantido a tranqüilidade, além de casais de namorados que também estavam deitados desfrutando da beleza do local.

Não tinha como deixar de fazer a comparação entre quem estava deitado ali para curtir um momento de lazer e quem estava deitado para descansar da vida, do cansaço de viver a cada dia sem saber o que será do amanhã, sem perspectivas, a não ser a de conseguir um prato de comida para sobreviver nessa cidade que, apesar de linda, ostenta um dos piores índices nacionais em desigualdade social e desemprego.

A minha conclusão da comparação entre eles, é que tanto o rico como o pobre ou aquele que tem uma melhor condição e o que não tem nenhuma condição de sobrevivência a não ser a mendicância, pode desfrutar do que Deus deixou para toda a humanidade, a natureza. O Céu seja azul durante o dia ou numa noite estrelada, o mar, as paisagens naturais, a brisa e a sombra dos coqueiros.

Porém, chegará um momento em que os casais repousarão em seus lares e deitarão em suas camas box e travesseiros ortopédicos enquanto aquele pobre mendigo levara a garrafa pet com água para beber que também lhe serve como travesseiro para outro local, a fim de se proteger do frio da noite e das maldades humanas, até que chegue o dia seguinte e ele possa desfrutar daquilo que Deus deixou para ele, a natureza.
Foto: Leandro de Assis

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Piratas na Baia de Todos os Santos


A Travessia Plataforma/Ribeira estava desativada desde o ano de 1994, as estruturas dos dois terminais hidroviários estavam arruinadas e serviam de ponto de tráfico e uso de drogas, até que o atual prefeito João Henrique Carneiro reformou as estruturas e colocou novas lanchas para fazer a travessia.

Um dos motivos que levou os terminais a serem abandonados foi principalmente a falta de segurança no Terminal Hidroviário de Plataforma, vivia sendo assaltado, tanto o terminal quanto as pessoas que necessitavam utilizar o transporte. Após a reforma, a Guarda Municipal faz a segurança do local, porém não tem dado resultado, pois a nova modalidade dos assaltantes é a pirataria.

Uma pequena embarcação (canoa) aproxima-se da lancha no meio da travessia e dois assaltantes que estão dentro do transporte anunciam o assalto, obrigam o comandante a parar a embarcação, fazem à limpa nos passageiros e pulam para a canoa com os pertences dos passageiros.

Pra quem pensa que piratas é coisa do Caribe ou do Mar Mediterrâneo, na Bahia também tem piratas. Mas sem papagaios, macacos, heróis e sem bandeiras com o tradicional símbolo pirata, apenas uma canoa e algumas armas de fogo que vulgarmente também são conhecidas pelos marginais como canhão. Espada é coisa de filme.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Depois de velho


Estava sentado na Praça da Piedade esperando minha noiva sair do trabalho quando de repente algo inusitado aconteceu um senhor de idade tira o pênis pra fora e começar a urinar, na frente de todos, como se fosse uma criança.

Pensei... realmente ele deve estar na “melhor idade”, não é assim que dizem quando alguém chega à velhice? Pois é, comecei a lembrar de momentos de aperto que passei aqui em Salvador, à procura de um sanitário público para não fazer o mesmo que o velho fez mais não encontrei, o jeito foi segurar até em casa.

Como dizem, depois de velho voltamos a ser como crianças, o primeiro sinal então deve ser esse, o de retirar o pênis na frente de todos numa praça pública, sem se importar com o casal de namorados que estava ao lado, com os outros idosos e idosas que estavam na praça e nem com os pombos, coitados.

As pessoas que estavam próximas acharam graça do ato, acho que não acreditando no que estava presenciando, será que se fosse eu, aos 27 anos que tirasse o instrumento das calças as pessoas iriam rir? Acredito que os homens dos dois casais de namorados próximos iriam me chamar pra briga. Não, pode parar por aí, não estou desejando sair tirando o meu não, só estou dizendo que não achei graça, a cena foi ridícula e que estou indignado com isso. Não se fazem mais velhos como antigamente.

domingo, 15 de novembro de 2009

O multiculturalismo abrilhantou a edição IV do Fala Escritor


Consolidado com um dos bons eventos literários em Salvador, o Fala Escritor, na noite de sábado (14/11), inovou trazendo uma exposição de telas de pintores sergipanos.
Outra novidade foi a participação do público infantil, não somente como expectador, mas fazendo parte da programação, recitando poesias. A plateia também curtiu um pouco de “cinema”: as luzes se apagaram e foi apresentada uma parte da mini-série “A Vida Como Ela é” (A dama da lotação), baseada na obra de Nelson Rodrigues.
As cenas fizeram parte da palestra de Mayana Rocha Soares, cujo tema foi “Representações Sociais e Gênero em Nelson Rodrigues: as santas (e) putas rodrigueanas”.
As crianças tiveram que ser retiradas nesse momento, pois foram cenas picantes.
Outra inovação foi a apresentação do evento, realizada pela escritora e poeta Renata Rimet, primeira apresentação feminina do Fala Escritor. Renata esbanjou simpatia e jogo de cintura administrando a diversificada programação da noite, intercalando música, recital poético, lançamento de livros e apresentação de artigo. Mas a poetisa, que prefere ser chamada de poeta, também recitou, abrindo caminho para a participação do autor de “Nos Idos de 68’, “Nós da Poesia” e “Entre a Vida e Morte”, Luiz Lyrio.
Leandro de Assis também fez algo inusitado, ao lançar seu livro de forma literal para o público presente no Espaço Castro Alves da Livraria Saraiva, para a felicidade de Carla, a menina que conseguiu segurar o livro e receber o autógrafo do autor. Ele convidou ainda os amigos Alexandre Amaral criador da capa do livro, e o Valdeck Almeida, que fez o prefácio e a correção ortográfica e gramatical.
A banda Hióide, chegou me mansinho e arrancou aplausos do público presente com ótima performance dos seus vocais acompanhados apenas de um violão, surpreendendo a todos.
Vamos esperar pela edição V. A programação já está pronta com palestra, lançamento de livros e participação musical. As inscrições para o recital poético já estão abertas, pelo e-mail falaescritor@hotmail.com, blog http://www.falaescritor.blogspot.com/ e Orkut: Fala Escritor.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Reencontro


Reencontrar com Deus
É saber da minha responsabilidade
é direcionar-me a um referencial
Que foi humilhado, rejeitado, cuspido
Morreu por mim e hoje é meu amigo

Reencontrar com Deus
É espelhar-me no Seu filho
Que foi Homem
E ao mesmo tempo Deus

Sendo homem
Vivenciou tristeza
Angustia e solidão
E mesmo assim

Manteve limpo o coração
Reencontrar com Deus
É recuperar a auto-estima
É ter curado os sentimentos

Viver a cada momento
Em santidade e comunhão
Reencontrar com Deus
É aliançar-se com seu líder

Obedecendo e respeitando-o
Amando-o como a tí mesmo
Pois somente assim
Amarás verdadeiramente a Deus

sábado, 7 de novembro de 2009

Novo encontro de escritores baianos


Mais uma vez o Fala Escritor, projeto criado pelo poeta Leandro de Assis, com apoio de Valdeck Almeida, Grigório Rocha, Monique Jagersbacher, Carlos Souza e Fau Ferreira receberá a presença de mais de vinte escritores baianos e a novidade é a presença do professor e escritor Luiz Paulo L. de Araújo (Luiz Lyrio), natural de Belo Horizonte, formado em História pela UFMG, autor dos livros GRÊMIO LIVRE: UM EXERCÍCIO DE CIDADANIA (1998), NOS IDOS DE 68 (2004), ARCAS DE BATOM (2OO4) e ABDUÇÃO (2007).
Além dos lançamentos de Luiz Lyrio, estará sendo lançado o livro "Inquietações" poemas de Leandro de Assis e haverá um recital poético com os poetas e poetisas abaixo: Varenka de Fátima, Jaime Poeta, Tassio Revelat, Douglas Leal, Mirian Sales, Emerson Maciel, Jorge Filho, Magno Castro, Carlos Conrado, Sandra Stabile, Isabel Bispo, Lucymar Soares, René Atila, Malu Freitas, Renata Rimet, Valdeck Almeida, Grigorio Rocha, Monique Jagersbacher, Glauber Albuquerque, Gabriele Borges, Lenara Uchôa, Janaina Oliveira, Fau Ferreira, Priscila de Athayde, Janaina Miranda e Carlos Alberto Barreto e Vera Passos.
Apesar de ainda estar na quarta edição, o Fala Escritor já é sucesso de público e crítica no meio literário baiano, era o que os escritores precisavam um espaço para divulgar seus trabalhos, estarem em contato com o público e com outros escritores. Em meio a essa união de escritores, já surgiram várias idéias como: A criação de uma associação de escritores, criação de novas antologias poéticas, reunião para debater leis e incentivos a cultura no estado, criação de revistas literárias, além do pedido de apoio a outros projetos culturais.
Estudantes universitários e do ensino médio da Bahia já descobriram o Fala escritor, na edição anterior Bruno Máriston do nono ano do ensino médio do Colégio da Polícia Militar teve seu poema recitado pelo idealizador do projeto, nesta edição a banda Hióide composta por estudantes do primeiro semestre de fisioterapia de uma faculdade de Salvador participará do evento fazendo intervenções musicais. Ainda há o interesse de alunos do curso de direito de outra universidade em levar os escritores até o espaço da faculdade para apresentarem seus trabalhos.
O Movimento Literário na Bahia vem crescendo aos poucos, com vários eventos ligados poesia, a literatura e a outros tipos de arte que envolve a escrita, como o teatro e a música. Tanto na capital quanto no interior essa efervescência literária pode ser notada devido ao trabalho de grandes escritores ainda anônimos a grande mídia que tem se dedicado ao árduo trabalho de promover eventos sem patrocínios ou apoio do estado.
Ficamos na torcida para que esse movimento possa deixar sua marca na história da cultura baiana e que apareçam para o Brasil novos Jorge Amado, João Ubaldo Ribeiro, Castro Alves e outros excelentes escritores que nascido na Bahia despontaram para o Brasil e para o mundo.
O evento será realizado no dia 14 de novembro, às 18 horas, na MegaStore Saraiva Salvador Shopping, no espaço de eventos da livraria chamado: Espaço Castro Alves.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009


Chegou a minha vez
A minha hora de recomeçar
Voltar a andar nos caminhos do Senhor
Adorando o Seu santo nome
Buscando a Tua face
Fazendo a Sua vontade
Ouvindo a Sua voz
Deleitando-me em Tua presença
Louvando Teu santo nome
Amando aos meus irmãos
Dando a outra face
Perdoando aos que me ferirem
Orando pelos que me maldizem
Chorando com os que choram
Doando aos que não tem
O alimento de cada dia
O amor que nos irradia
Mas falando do Senhor
Aquele que alimenta
O coração do homem
Com palavras de sabedoria
Com palavras de amor
Recebi em meu coração
A presença do Senhor.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Transformação


Antes confiava em mim,
Hoje confio no Senhor,
Vivia cheio de si
Hoje cheio do Teu amor.

Era indeciso e infiel,
Agora sei o que quero.
Ser um servo fiel,
E assumi meu Ministério.

Já fui escravo do labor,
Hoje, servo do Senhor.
Onde antes operava a dor,
Hoje opera o Teu amor.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Razão de Viver


Com Deus sempre estarei
Pois sem, não sei viver.
E sempre que tentei,
Descobri o que é sofrer.

No escuro e sozinho,
Operava a solidão.
Na luz e com Cristo,
Tenho um novo coração.

Agora eu sou feliz,
Tenho razão de viver.
Pois Deus sempre me diz
Filho, Eu amo você.

sábado, 24 de outubro de 2009

Prefácio do meu livro

A poesia de Leandro de Assis permeia a sociedade, os problemas do cotidiano de toda grande cidade brasileira. Transporte, desemprego, sistema de atendimento médico-hospitalar, violência, drogas, habitação, desestruturação familiar e tantos mais.
O poeta tem um ouvido e um olho a mais, ele capta o que se passa ao seu redor, decodifica e transforma em arte, em denúncia, em grito de alerta. Assim é Leandro, assim são as palavras-labirintos deste livro... Além da preocupação terrena, com a falta de comida e de ar para respirar, os escritos deste poeta nos chama para uma solução viável: Deus! Seus cânticos agradecem, pedem, clamam e convida o leitor a uma comunhão com o outro, com o próximo, lição que Jesus nos ensinou mas que, devido ao atribulado do sobreviver, nem sempre nos lembramos...
A arte não pode prescindir mais da realidade, da comunidade. Leandro está muito bem inserido neste contexto, tem os pés fincados no chão, na praça e nas ruas de seu bairro de nascimento e onde vive até hoje: Plataforma lhe serve ao mesmo tempo de morada e de inspiração, tão linda que é esta parte da cidade do Salvador!

Valdeck Almeida de Jesus
Escritor, Poeta, Estudante de Jornalismo


Lançamento: 14 de Novembro de 2009

Local: MagaStore Saraiva Salvador Shopping

Hora: 18:00 horas

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Como vencer a pobreza e a desigualdade


A pobreza e a desigualdade são temas discutidos em todos os países, sejam eles desenvolvidos ou em processo de desenvolvimento industrial. Isso se deve a desigualdade na distribuição de renda, a discriminação entre os seres humanos e também ao individualismo exacerbado da população atual, pois a maioria preocupa-se apenas com o seu próprio bem-estar não se importando com seu próximo.

Sendo assim, a melhor forma para vencer esse problema mundial é através de pesados investimentos públicos na educação e no planejamento familiar, além de uma pressão constante da opinião pública sobre o Congresso Nacional, cobrando rapidez na tramitação das leis referentes a melhorias na educação básica, e também de nível superior.

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de 1991 até 2000 o número de jovens entre 10 e 14 anos que foram mães pela primeira vez cresceu 93,7%, sendo a maioria dessas adolescentes pobres e sem acesso a métodos contraceptivos e nem informação adequada sobre eles. Por isso, essas crianças não nasceram num lar preparado para elas e tiveram que se adequar às condições que encontraram: a pobreza!

Aliados aos investimentos na educação e as informações sobre métodos contraceptivos, é preciso uma ampliação da atividade econômica e a busca intensa de todos os paises pelo desenvolvimento auto-sustentável, o fortalecimento da cidadania e a erradicação do racismo, doença moral que atinge todos os países.

Com a tomada dessas medidas, será enorme o avanço para a vitória frente à pobreza e a desigualdade no mundo, pois se quebrará um circulo vicioso que é o de crianças que nascem de mães adolescentes pobres, que estudam em escolas públicas de péssima qualidade, com professores mal remunerados e por isso, não tem oportunidade de um bom emprego. Sem contar que ainda são discriminadas devido à cor de pele, condição social e outros fatores.

No Brasil, no ano de 2006, o governo Lula assinou uma medida provisória regulamentando o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica, porém o que adiantou isso ter sido feito se até o momento os professores ainda são mal remunerados e têm péssimas condições de trabalho, a merenda escolar ainda é desviada, existe violência e falta de segurança nas escolas? Temos escolas em bairros periféricos sem professor e professor “sem escola para ministrar aulas”, pois não se submetem a arriscar suas vidas em bairros violentos.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Cansei de Seleção



Eu já estou cansado de tantas entrevistas
Já estou cansado de desenhar casinhas em folha de papel
Já estou cansado de desenhar pessoas no chão
Por favor, me liberem desses exames psicológicos;
E ainda pedem: Escreva uma carta de solicitação.
Querem que eu me humilhe
Então, por favor, me dêem um emprego
Nada de autônomo, é exploração
Eu quero minha carteira assinada
No fim do ano, pretendo casar com minha namorada
Eu sou cidadão, eu sou cidadão, eu sou cidadão

Já estou cansado de pedir dinheiro emprestado
Pra participar de seleção
São mais de cem pessoas pra uma vaga
Decepção
Por favor, indiquem-me, por favor, indiquem-me,
Por favor, indiquem-me
Mas não pra seleção.

É uma semana inteira de pura enrolação
Gasto o que não tenho
E depois me dizem: Aguardem nossa ligação
Mentira, mentira
Então fico em casa esperando
Aflito, aflito, aflito

Deixo de ir à praia
Deixo de ver o mar
Deixo de jogar bola
Esperando a tal
Empresa ligar
E nem um retorno
Pra dizer:
Não foi você.

Já estou cansado
Já estou cansado
Já estou cansado
de seleção.
Poema publicado no livro Eu sou todo poema em junho de 2007.