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sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Oficina de Poesia em Brasília com Elisa Lucinda e Casa Poema

      Mais uma vez fui convidado pelo GGIM (gabinete de Gestão Integrada Municipal) de Lauro de Freitas e pela OIT (Organização Internacional do Trabalho) – uma agência multilateral ligada a ONU (Organização das Nações Unidas) – para integrar participar da Oficina de Poesia Palavra de Polícia: “Outras Armas” sob coordenação da competente equipe da Casa Poema (RJ), cuja principal estrela é a maravilhosa Elisa Lucinda. Dessa vez, a Oficina aconteceu no Hotel Mobile Suítes Monumental, em Brasília, de 28 a 30 de agosto, com apresentação aberta ao o público no último dia.

      Foram três dias de muito aprendizado, além da ótima equipe selecionada na Bahia, havia representantes de Contagem – MG e Vitória – ES, todos afinadíssimos e preocupados com a Segurança Pública e determinados na prevenção da violência e no fortalecimento da cidadania. Não foi uma simples oficina de poesia, e sim, uma oficina com homens e mulheres capazes e interessados em usar a força da Palavra para transformar a própria realidade, a outras pessoas, e até mesmo a realidade de profissionais da Segurança Pública que perdeu as esperanças com o sistema.

      Fiquei muito feliz, quando Elisa Lucinda, Geovana Pires e Tais Dumet disseram que fomos selecionados "a dedo", por elas acreditarem em nossa capacidade de multiplicar o trabalho realizado. Foi muito lindo e emocionante ver Policial Militar e Guarda Municipal chorando de emoção com a força da palavra poética que adentrava seus corações, eu sempre acreditei na poesia e na arte, por isso, já estou a três anos lutando e carregando a bandeira do Fala Escritor, agora, então, minha fé na poesia como instrumento de transformação social está mais forte do que nunca.

     Eu queria muito ter uma nova oportunidade de aprender com os amigos da Casa Poema e graças a Deus esta oportunidade chegou mais cedo do que eu esperava. Ouvi atentamente cada instrução do Claudio Valente, da Geovana Pires, do Marcelo Demarchi, da Elisa Lucinda e do Juliano. Meu desejo de fazer uma boa apresentação era muito grande, pois na primeira oficina realizada Bahia eu havia trocado os versos da parte final do poema, mesmo sabendo que a apresentação era apenas o resultado da oficina e não o objetivo em si eu me dediquei muito.

     Enfim, chegou o dia da apresentação, eu não estava bem devido ao clima seco, passei três dias com dores de cabeça, sangramento no nariz, lábios ressecados e rachados e tinha passado a madrugada com febre. Mas não deixei que isso afetasse meu desempenho na Oficina, aluguei o Claudio Valente e deixei a Elisa Lucinda com ciúmes (risos). Fiquei maravilhado com cada apresentação e quando chegou minha vez, rasguei a alma e coloquei pra fora toda a alegria e orgulho de ser negro e a força do desejo de libertação. Breve, postarei o vídeo da apresentação aqui no blog e também no Facebook.


Meus agradecimentos: Debora Privat, Arrute, Andréa Melo, Tais Dumet e equipe Casa Poema (Claudio Valente, Geovana Pires, Marcelo Demarchi, Elisa Lucinda e Juliano). Aos amigos e companheiros de viagem: Lesley Carneiro, Claudio Candido, João Reis, Maercio Nascimento e Paulo Leite. A família 3º SGBM Lauro de Freitas e aos comandantes Major Lanusse, Sargento Batista.

Fotos:




Poema que declamei:

de Solano Trindade
Sou Negro

Sou Negro 
meus avós foram queimados 
pelo sol da África 
minh'alma recebeu o batismo dos tambores atabaques, gonguês e agogôs 

Contaram-me que meus avós 
vieram de Loanda 
como mercadoria de baixo preço plantaram cana pro senhor do engenho novo 
e fundaram o primeiro Maracatu.

Depois meu avô brigou como um danado nas terras de Zumbi
Era valente como quê
Na capoeira ou na faca
escreveu não leu
o pau comeu
Não foi um pai João
humilde e manso

Mesmo vovó não foi de brincadeira
Na guerra dos Malês
ela se destacou

Na minh'alma ficou
o samba
o batuque
o bamboleio
e o desejo de libertação...

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Apresentação com Elisa Lucinda em Brasília


De 28 a 30 de agosto de 2012, terei a oportunidade de participar de mais uma Oficina de Poesias coordenada pela talentosíssima atriz e poetisa Elisa Lucinda, finalizando com a apresentação de todos os participantes. 


Fotos da Oficina realizada em julho de 2012 no Cine Teatro Lauro de Freitas-BA


sexta-feira, 13 de julho de 2012

“Palavra de Polícia - Outras Armas”



      Conhecedor do meu envolvimento com a literatura, o Major do subgrupamento onde trabalho indicou-me para participar de uma Oficina de Poesias para servidores estaduais e municipais que atuam com a segurança pública. Outro militar indicado para participar foi o Sargento Adailton Batista, que também é escritor e poeta, autor do livro Usos e Costumes – Um obstáculo ao crescimento das igrejas evangélicas. Fiquei curioso para saber como seria e aguardei da data do acontecimento até que chegou um material explicativo via e-mail que me deixou irritado, então comecei a me armar para receber os professores da Oficina, mas é claro que, com palavras.

      O material de apresentação do projeto dizia em sua conclusão que a poesia seria utilizada como ferramenta para, entre outras coisas, ajudar a “mudar o olhar de cada participante, a sua conscientização sobre sua função social e suas raízes e sua integração”. Mas como assim MUDAR meu olhar? O que é que eles sabem sobre minha conscientização e meu olhar para antes mesmo de me conhecerem acharem que precisa ser mudado? Pensei... Bem, devem estar achando que me conhecem pelo simples fato de eu ser militar, como se todos fossemos iguais. Depois disso, pirei pelos “outras armas”, senti que o material estava me dizendo que a palavra como arma na resolução dos problemas do dia-a-dia estava sendo colocada como uma grande novidade no trabalho militar.

     Enfim, chegou o dia da oficina e tive a grata surpresa de encontrar a atriz Tina Tune entre os participantes e reconheci Elisa Lucinda, mas não me lembrava de onde; gosto de novela, mas não ligo muito pra vida de artista. Então Tina me lembrou dos vídeos do Youtube com Elisa recitando e me lembrei do vídeo Mulata Exportação, nossa foi uma alegria imensa neste momento, pois amei o texto e a interpretação, percebi que neste aspecto eu tinha MUITO que aprender naquela oficina. Então pensei: Vou aprender o que eu preciso e esquecer o resto, mas não consegui esquecer logo na apresentação da equipe por um dos Coordenadores do Cine Teatro a questão “polícia desumana” veio à tona, como se já bastasse estar escrito na divulgação oficial da prefeitura: "A oficina “Palavra de polícia: outras armas”, coordenada pela atriz e poetisa Elisa Lucinda, terá o desafio de humanizar e... (http://www.laurodefreitas.ba.gov.br/admin/app_index.php?chave=7bb0b3a46f78651c75625afabd19a0883deefd66&acao=exibir_texto)

     Eu já estava armado e minha língua coçou para falar naquele momento, mas não queria ser o cara chato logo no início, tinha que sentir o ambiente, mas um PM líder comunitário se levantou, pediu a palavra e falou do seu trabalho na comunidade onde mora e isso me deixou satisfeito. O trabalho começou, dizemos nossos nomes e uma palavra que significasse algo pra cada um de nós, logo depois garimpamos entre os diversos livros um poema para que pudéssemos sentir e visualizar o que o texto estava nos dizendo e assim passamos o dia namorando, cada qual com seu texto, e aquela palavra “mudar” continuava na minha cabeça, agora ela tinha uma companheira “humanizar”.

     No segundo dia da Oficina, eu já estava mais estressado, pois a desconfiança de que eu e outros militares não iríamos retornar para a atividade era muito grande e isso também me incomodava, pois não havia motivo para a gente não retornar, apesar dos sinais de pré-julgamento. Enfim, a oportunidade que eu esperava aconteceu, estávamos sentados em forma de círculo no palco e Elisa falou o que pensava sobre o trabalho da polícia (vídeo no final) e disse que queria nos ouvir, naquele momento pude então conhecer um pouco mais Elisa Lucinda, conhecer os outros participantes da Oficina e ela ouviu tudo isso que você acaba de ler, a minha visão sobre a Oficina até aquele momento.

     Foi um momento bastante legal, foi muito bom pra mim colocar pra fora tudo o que estava me deixando aflito desde o dia anterior, a partir da fala de Elisa Lucinda, percebi que o MUDAR do material de apresentação da Oficina foi um equívoco e que não refletia a realidade. Inclusive, a mesma disse que irá rever o material e que irá retirar esta palavra dele e os outros integrantes da equipe de coordenação da Oficina também se manifestaram. Achei super bacana também o depoimento do Sargento Adailton Batista, que trabalha na formação policial militar a mais de 10 anos e deixou bem claro que a violência começa quando o Estado falha na educação básica e fundamental aliando a falta de planejamento familiar e outros fatores sociais, não podendo ser a polícia a responsável pela violência.

      Lavada a “roupa suja”, a equipe que a Lucinda trouxe para fazer a Oficina era muito competente e prestei atenção em tudo que eles ensinaram e eles conseguiram realmente nos ajudar com a auto-estima, eloquência, desinibição, memorização, erudição e criatividade que também estava na proposta da Oficina. Foi lindo e emocionante assistir meus colegas recitando para o público a noite, havia familiares, comandantes das CIPM’s de Lauro de Freitas, a prefeita Moema Gramacho, representantes da OIT (Organização internacional do Trabalho) e pessoas que foram pelo simples fato de gostarem de poesia e de arte. Fui um dos primeiros a apresentar e errei meu poema, já no finalzinho inverti os versos, fingi que nada aconteceu e fui me sentar, Elisa olhou pra mim e disse: “Leandro, volta e faz novamente” - fui até ela sorrindo, beijei-a no rosto e voltei, errei novamente e desinibido que estava “cai” na gargalhada, sem nenhuma vergonha na cara, ai fiz somente a parte final e sentei.
   
     Foi uma oportunidade ímpar, aprendi com uma das melhores no ramo da poesia no país, segundo a revista Raça, edição número 152, que trás Elisa Lucinda na Capa, seu livro Parem de Falar Mal da Rotina (Texto Editora, do grupo Leya, 2010) lançado no final do ano passado é o segundo livro mais vendido no Rio de Janeiro depois de Tropa de Elite. Além de me deixar desinibido, esta oficina me fez acreditar ainda mais no poder da poesia, renovando minha auto-estima para poder continuar na luta literária, levando a poesia para as escolas, para as comunidades e abrindo espaço através do Fala Escritor para outros artistas da palavra na Bahia, viva a poesia e viva a Escola Lucinda de Poesia Viva.

Leandro de Assis / Sd BM De Assis / Lauro de Freitas-BA
Escritor, professor, poeta e idealizador do Projeto Fala Escritor

Palavras de Elisa Lucinda:

quarta-feira, 11 de julho de 2012