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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

A ESCOLA E O ENSINO DE HISTÓRIA

NADAI, Elza. O ensino de História no Brasil: trajetória e perspectiva. Revista Brasileira de História, nº 25/6. São Paulo, ANPUH, 1993, p. 143-162.


Elza Nadai é Mestre e doutora em história social pela USP, foi professora de prática de ensino de história da USP. É também orientadora de várias resenhas de alunos que estão publicadas na internet. Ela inicia seu texto com uma citação ao Murilo Mendes (1935), na qual ele absorve os alunos por se valerem da cola nos exames de história, devido à história que lhes é ensinada, causando-lhes ódio.

Realmente, ao se perguntar para um estudante do Ensino Médio o que ele sente pela disciplina História, apesar de alguns já serem simpatizantes, muitos responderão que não gostam ou que não acham interessante e não sabem para que ficar estudando Grécia e Roma, se nem ao menos sabem o que isso acrescenta em suas vidas.

Nadai para analisar esse contexto, percorreu a história do ensino de história no Brasil, partindo de sua adoção, influências, metodologias e intervenção pelo regime militar.

No século XIX, o IHGH (Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro) dominou as pesquisas e ideologia para o ensino de história no Brasil. A ideologia do IHGB era a de criar uma identidade nacional, ou seja, era necessário que a população do território tivesse noção do que é ser brasileiro. Para isso, eles adotaram o modelo tradicional de história desenvolvido por Leopold Von Ranke. Este modelo ficou conhecido como rankeano ou tradicional de se fazer e ensinar história, tendo como suas características principais a exaltação do indivíduo, sempre da elite, e também a criação de heróis para que houvesse uma identificação popular.  Além da influência de Ranke, o ensino e produção histórica do Brasil também foram influenciados pelo conceito francês de civilização e pelo evolucionismo, colocando assim as nações européias como modelo a serem seguidos, por isso os privilégios para Grécia e Roma, que seriam de onde se iniciou a civilização européia.

Segundo a autora, a introdução do ensino de história não se deu de forma pacífica, tendo como destaque pela oposição o senador Paulo Egídio de Oliveira Camargo. Este não considerava a história uma ciência, devido a sua concepção de ciência ser somente as exatas e mesmo com esta e outras oposições, a história passou a integrar o currículo após a elaboração do artigo quinto do Primeiro Regulamento dos Ginásios do Estado (decreto 293 de 22/05/1985) sendo este ensino focalizado nos fatos políticos, com ligeiras incursões sobre a religião e a arte de alguns povos no ensino da Antiguidade e sendo estudados ainda os períodos conhecidos como: Idade Média, Moderna e Contemporânea.

As produções e ensino de história desta época, final do século XIX, procurou divulgar uma harmonia inexistente dentro do país, que foi a boa relação entre os que vieram da Europa, África e os Índios, o propósito ideológico era o de uma nação resultante da mistura das três “raças” dando a idéia de equilíbrio social e inexistência de quaisquer conflitos. Com isso o ensino do país buscou mascarar as desigualdades, coisa que considero impossível, pois se ainda nos dias de hoje muitas pessoas sofrem com racismos e preconceitos, naquele período deveriam ser muito mais grave e a história que deveria combater esse tipo de coisa, fazia justamente o contrário.As produções históricas, durante muito tempo foram escritas desse modo, mascarando as desigualdades e o professor que deseja estar atento à isso e dar uma boa aula de história, precisa estar antenado “antenado” as novas tendências de ensino, através de uma aproximação com a academia.

No discurso da mídia e de alguns partidos políticos de esquerda, se ouve dizer que com a democracia o povo tem uma arma na mão que é o voto. Mas o que se deve levar em conta é que esta é uma arma que o povo não sabe usar, devido ao tempo em que o ensino positivista e elitista dominou a educação brasileira. Pode-se comparar a povo à uma criança que encontra a arma do pai em casa e resolve usar, achando que o sabe fazer por ter visto em filmes ou novelas e termina atirando no próprio pé ao invés do alvo que mirou para acertar. O povo não foi ensinado a votar, assim como a criança à atirar, não sabe quais as funções de um vereador, deputado ou até mesmo do presidente, sendo assim a democracia, ainda não esta sendo exercida de forma igualitária, pois uns votam com consciência, a elite e a massa não sabe o que faz.

Segundo Nadai, tentou uma mudança, esta procurou outras possibilidades de ensino, após a introdução do pragmatismo de Jonh Dewey, que influenciou muitos pensadores da primeira metade do século XX. Vejamos um relato do professor Paschoal Lemme, que ensinava neste período comentando como funcionava a educação brasileira antes da influência de Dewey:

“As poucas escolas públicas existentes nas cidades eram freqüentadas pelos filhos das famílias de classe média. Os ricos preceptores, geralmente estrangeiros, que ministravam aos seus filhos o ensino em casa ou os mandavam a alguns poucos colégios particulares, leigos ou religiosos, funcionando nas capitais, em regime de internato. Muitos desses colégios adquiriram grande notoriedade”.

“Em todo o vasto interior do país havia algumas precárias escolas rurais, em cuja maioria trabalhavam professores sem qualquer formação profissional, que atendiam as populações dispersas em inúmeras áreas: eram as substitutas das antigas aulas, instituídas pelas reformas pombalinas, após a expulsão dos jesuítas, em 1763”. [...]
                                                                                                            (Ghiraldelli 2003)

 Após a influência de Dewey, que inclusive foi professor do baiano Anísio Teixeira, os pioneiros da então chamada escola nova fizeram um manifesto, que foi redigido por Fernando de Azevedo, que é outro grande nome da educação brasileira. Segundo esse manifesto, “a “escola nova’ teria por base a atividade espontânea, alegre e fecunda, dirigida a satisfação das necessidades do próprio indivíduo”. (Ghiraldelli 2003)

Com isso, não só outras disciplinas mas também a história foi beneficiada, pois sua pratica pedagógica e ensino também foram discutidos e reavaliados, pois para a nova tendência este ensino não poderia continuar da forma em que se encontrava. Segundo Nadai, defendeu-se a necessidade de os alunos “adquirirem os hábitos  de investigação, de análise, de juízo, de generalização, de raciocínio lógico, de crítica, em todos os quaes a memória irá entrar com o valor positivo de instrumento utilíssimo, indispensável, mas um só e mero instrumento na função conjuncta e complexa de todo trabalho mental” (Nadai 1993)

No ano de 1934, foram instalados os primeiros cursos universitários de formação do professor, segundo a autora, as principais contribuições foram de cientistas franceses. Naquele momento o Brasil teve uma chance de se tornar um país mais igualitário, apesar do positivismo do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo.

Nos anos sessenta, foram testados currículos, métodos de ensino, conteúdos e práticas pedagógicas; inovações direcionadas para a interdisciplinaridade e pela aceitação do aluno como co-responsável pelo seu processo educativo. É uma pena que após a implantação da Ditadura Militar em 1964, isso foi interrompido, pois neste momento não era interessante para as forças dominantes se formar uma nação pensante e crítica.

“O ensino superior, no Brasil pré-1964, já significava cada vez mais, a chance de alguns setores ascenderem socialmente e de outros, a de não descerem tão rápido.” (Ghiraldelli 2003)

O governo ditatorial foi um atraso a democracia do país, pois a partir desse momento as elites queria tornar o ensino superior restrito à elas. Vejamos o que disse o ministro Roberto Campos, referente ao assunto:

“O Ensino Médio deveria atender a população em sua maioria, enquanto o Ensino Universitário fatalmente deveria continuar reservado às elites”. (Chiraldelli 2003)
   
Surpreendentemente, nessa época segundo a Nadai, a produção história do país foi se renovando com o emprego da dialética marxista como método de abordagem e também os temas de pesquisas tornaram-se mais abrangentes e direcionados para o social, os operários ao homossexual, o negro, a mulher, os camponeses, etc. (Nadai 1993)

Os responsáveis por esse novo olhar para a sociedade foram os historiadores da terceira geração da Escola dos Annales, eles interessaram-se por temas pertencentes ao domínio da cultura e o questionamento do primado até então conferido, ao estudo das conjunturas econômicas ou demográficas. (BURKE 1991)

Muitos textos falam da oposição entre a escrita marxista e a da Escola do Annales, porém Georges Duby diz que “parece-lhe incontestável que tudo o que se fez de sério na escola histórica francesa parte de esquemas de análise que derivam muito directamente das teorias marxistas. (DUBY)

Com essas influências sobre o ensino e produção histórica do pais, regime militar passou a intervir no ensino de tal forma, que até Karl Marx que já estava morto há tempos, eles procuraram para prender, pois sua literatura os estavam incomodando. (WILIANS, Jean. Mini-Curso: Ditatura Militar e Globo e Você 2004)

Eles propugnavam a formação de cidadãos dóceis, obedientes e ordeiros, além do esvaziamento do lado crítico e contestador.(Nadai 1993)

Com o fim da Ditadura Militar, ainda segundo Nadai, ocorreu a emergência de novas propostas curriculares. Desde 1985 até os dias de hoje tivemos cinco presidentes no Brasil, estando o quinto em plena regência, porém por incrível que pareça, apesar de maior liberdade e respeito pelos setores sociais, a concentração de riquezas no país aumentou de forma assustadora e o ensino continua excludente. As classes baixas não tem as mesmas condições de colocarem seus filhos em boas escolas particulares, já que o ensino público a cada dia esta com o nível mais inferior, enquanto que os filhos da burguesia preenchem as vagas nas universidades públicas do país.

Se o sistema político do país pretende ser mais democrático é preciso investir na educação e no ensino e produção de história, de formar a criar um futuro melhor, com toda a população sabendo utilizar o poder do voto.

Referência Bibliográfica:

• GHIRALDELLI, Paulo. Filosofia e História da Educação Brasileira. São Paulo, Manole  2003.
• DUBY, Jorge. A História: Um divertimento, um meio de evasão, um meio de formação. In: Le Goff, J.(org). A Nova História. Lisboa, Edições 70, s.d.,p.41-44
• BURKE, Peter. A Revolução Francesa da Historiografia: A escola dos Annales,1929-1989.São Paulo: UNESP, 1991.

domingo, 31 de janeiro de 2021

As consequências da primeira guerra mundial para o meio ambiente e o meio urbano nos países envolvidos

 

A Primeira Guerra Mundial aconteceu entre os anos de 1914 a 1918, sendo o seu estopim o assassinato de Francisco Ferdinando, príncipe do império austro-húngaro, durante sua visita a Saravejo (Bósnia-Herzegovina). Normalmente quando se fala nas consequências da I Guerra Mundial, destacam-se as perdas humanas e as derrotas militares e políticas, além da questão territorial.

    Mas há outro fator importante a ser observado como consequência de uma guerra que é o meio ambiente, pois os efeitos de uma guerra são devastadores, devido à emissão de metais pesados e outras substâncias que contaminam o solo, a água e o ar. Com isso ocorre modificação das paisagens naturais, perda da biodiversidade a longo prazo, seja pela presença de minas terrestres ou agentes químicos dispersados no ambiente.

    Durante a Primeira Guerra várias plantações dos países europeus foram arrasadas até mesmo a industrialização desses países foi interrompida, por isso que ao findar da guerra eles passaram a depender dos Estados Unidos para abastecer-se e organizar-se economicamente.

    O meio ambiente urbano se constitui em um ambiente artificial, transformado pelo ser humano conforme suas necessidades. Isso quer dizer que mesmo sem guerra o meio ambiente urbano já é uma consequência da ação do homem sobre o meio ambiente, adequando-o as suas necessidades, porém durante e após uma guerra esse meio ambiente deixa de atender essas necessidades.

    Durante os bombardeios da I Guerra Mundial, muitas fábricas foram atacadas, assim como linhas férreas, refinarias, pontes e represas, num tipo de ataque conhecido como bombardeio tático que visa atacar alvos terrestres considerados estratégicos para o adversário, alterando assim o meio ambiente urbano dos locais bombardeados.

   Sabe-se que as pontes ficam sobre rios e as represas já é uma alteração do meio ambiente feita pelo homem, imagina agora aviões bombardeando locais como esses, pode-se dizer que é o homem alterando o meio ambiente duas vezes construindo sobre e depois destruindo.

    Infelizmente a destruição do homem ao meio ambiente através de uma guerra não teve fim em 1918, pois tivemos ainda a Segunda Guerra Mundial onde as consequências para o meio ambiente e o meio urbano foram piores, tivemos também guerra na Bósnia Herzegovina, Iugoslávia, Iraque, Afeganistão e atualmente o Irã tem enriquecido urânio, espero que não seja para lançar bombas atômicas sobre mais nenhuma cidade, como fez os EUA.

    O país que teve o seu meio ambiente e o meio urbano mais destruído foi a Alemanha e devido a essa destruição mais as penalidades que lhes foram impostas a Alemanha teve dificuldades para se reerguer e por isso ficou com um sentimento terrível de revanche, sendo isso aí uma das causas para a Segunda Guerra.

    Hoje em dia, acredito que os países, a ONU, o Greenpeace e outras ONG’s que lutam pelo meio ambiente tem buscado soluções para que não ocorram mais esses tipos de guerra, onde não só a população é dizimada, mas também a natureza.

Referências:

http://www.comciencia.br/reportagens/2005/11/07.shtml
http://www.suapesquisa.com/primeiraguerra
http://jogligidel.tripod.com/id52.html
http://www.webartigos.com/articles/32126/1/MEIO-AMBIENTE-URBANO-E-SEUS-DESAFIOS-NA-SOCIEDADE-CONTEMPORANEA/pagina1.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Bombardeio_estrat%C3%A9gico
http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,ira-tem-uranio-enriquecido-para-produzir-bomba-atomica,327413,0.htm

sábado, 30 de janeiro de 2021

Vida e Obra de Pierre-Joseph Proudhon


 
Pierre Joseph Proudhon (1809-1865) nasceu em Besançon (França), numa família pobre. Seu pai era tanoeiro e cervejeiro, os avôs por parte de pai e mãe foram agricultores livres, viveu até os doze anos nos campos, fazia pequenos trabalhos rústicos e pastoreava vacas, sendo vaqueiro durante cinco anos. A base de sua família era cristã, sendo assim também sua educação. Em seu auto-retrato pode-se notar certa nostalgia em relação aos tempos em que era criança e corria a vontade pelo campo.

Com dezenove anos saiu do colégio e foi trabalhar numa tipografia, depois tornou-se produtor por conta própria e cambista, depois de algumas semanas de trabalho em Lyon, depois em Marselha dirigiu-se a Toulon para procurar emprego. Assim foi sua vida até o ano de 1836, vivendo em oficinas, comendo o pão ganho a cada dia com o suor do próprio rosto e enviando o que conseguia para ajudar a família e contribuir com a educação dos irmãos.

Aos 28 anos ingressou na Academia de Bensançon, dando início a sua vida pública, lá ele recebia uma pensão trienal destinada a alunos que buscassem a carreira das letras ou das ciências e não tinham condições financeiras favoráveis. Proudhon venceu a concorrência, sua relação de motivos para o ingresso é emocionante, ele começa dizendo que nasceu e foi criado no meio da classe operária e termina dizendo que deseja ser o representante desta classe entre os acadêmicos.

Ele ganhou seu primeiro prêmio ao escrever sobre um personagem histórico que está contido num livro que a academia atualmente tem muito desprezado como fonte histórica, a Bíblia. Dedicou-se ao estudo das antiguidades socialistas e nela foi o primeiro lugar que ele as encontrou e recebeu aplausos por tornar Moisés filósofo e socialista. Segundo Proudhon os aplausos pouco importavam para ele, seu gosto mesmo era sua própria realização e pelo seu relatório de entrada na academia pode-se afirmar que sua realização é ver a classe operária com boas condições de sobrevivência, segundo Woodcock, a realização de Proudhon não era que a classe dominante perdesse suas condições, mas que todos tivessem as mesmas condições desta e que para isso não fosse necessário o uso do poder do homem sobre o homem. Em seu primeiro livro intitulado O que é Propriedade? Publicado em 1840 ele começa afirmando que a escravidão é um assassinato para depois transformar essa afirmação de forma dialética num novo questionamento, que é justamente o que dá título ao livro: “O que é propriedade? e da mesma forma que respondeu sobre escravidão ele diz: “É um roubo”. Ele transformou seus escritos num panfleto e logo foi intimado pelo Ministério Público de Bénsançon a comparecer ao tribunal criminal sob acusação de ataque a propriedade.

Proudhon foi o primeiro a declara-se anarquista, apesar de não ter sido o primeiro a escrever e julgar melhor a sociedade sem um governo, William Godwin (1756-1836) o precedeu repelindo de fato todo sistema social dependente de governo, mas isso não o tirou o título dado pelos historiadores de pai do anarquismo. É no mínimo intrigante O Manifesto Eleitoral do Povo publicado no Jornal du Peuple, 8-15 de Novembro de 1848 onde ele diz que os candidatos ao sufrágio popular prometeram tanto ao povo que não resta nada a prometer e que de todas as promessas nenhuma foi cumprida. Este jornal pertencia ao próprio Proudhon, foram quatro jornais no total todos fechados pelo governo devido aos seus artigos sempre violentos contra o poder. Em 1851, no Idée Générale de la Revolucion ele tece uma critica aos deputados (Proudhon foi deputado eleito em 1848 e disse dez anos depois que sua eleição foi efeito de um equívoco por parte do povo), levantando desconfiança sobre a reputação deles:

“Quem me diz que vossos procuradores não usarão de prívilégio para fazer do poder um instrumento de exploração? Quem me garante que seu pequeno número não os entregará, pés, mãos e consciências amarradas, à corrupção? E, se eles não querem se deixar corromper, se eles não conseguem ser razoáveis à autoridade, de quem me assegura que a autoridade desejará se submeter”?                                                                                                           Proudhon (1848)

As palavras de Proudhon são tão tentadoras que é difícil não comparar seus escritos com a realidade social brasileira, onde o povo, a classe operária desde as Diretas Já, escuta promessas dos seus representantes de reforma agrária, de educação de qualidade, de emprego e distribuição de renda e já não acredita em nada que venha do governo, o povo tem visto estarrecido a quantidade de dinheiro sacado das contas de Marcos Valério pelos deputados e seus funcionários e até esposa, isso leva a uma conclusão: Proudhon estava certo, quem melhor sabe o que o povo precisa é ele próprio , afinal de contas o que será prometido nas próximas eleições que ainda não haja sido prometido? Nada!

“Mas que me interessam ainda mais uma vez, todas estas eleições? Que necessidade tenho de mandatários, tanto como de representantes? E, já que é preciso que eu determine minha vontade, não posso exprimi-la sem ajuda de ninguém”?

Proudhon era um homem que se identificava com o povo mesmo quando deputado, em um de seus discursos mais polêmicos se colocou como proletariado usando o termo “nós” ao se referir a classe, deixando seus “colegas” de cabelos em pé e irados com o que estavam ouvindo.  Ele irritou também a Karl Marx ao responder a um convite de forma inesperada por este, que depois rebateu a obra de Proudhon Sistema das contradições econômicas ou Filosofia da Miséria com seu também clássico A Miséria da Filosofia.

Porque chamá-lo de “profeta” anarquista? Porque sua crítica a propriedade privada, também implica a uma crítica aos projetos comunista da época que ele considerava “exaltação ao Estado, glorificação da polícia” e a seus autores perjurava-os de "fanáticos do poder e da força central", alertava contra os objetivos retrógrados defendidos por eles, particularmente, "a ditadura da industria, do comércio, do pensamento, ditadura da vida social e privada, ditadura em todas as partes". Segundo Silva, é preciso chamar a atenção que estas críticas foram feitas na metade do século XIX, muito antes do primeiro regime de ditadura do proletariado e respondia aos pensadores revolucionários partidários do comunismo autoritário, herdeiros da tradição jacobina da Revolução Francesa, que iria influenciar também o marxismo-leninismo, motivo que dá o subtítulo deste artigo de o “profeta” anarquista.

REFERÊNCIAS:

• COSTA, Caio Túlio. O que é Anarquismo, São paulo: Brasiliense, 2004. 121p.

• CHAVES, Lázaro Curvelo. Pierre Joseph-Proudhon (1809-1865). Disponível na internet via www.URL: http://www.culturabrasil.pro.br/pjproudhon.htm#carta

• PROUDHON, Pierre Joseph. A Propriedade é um Roubo e Outros Escritos Anarquistas, Porto Alegre: L&PM, 1998. 176p.

• SILVA, Jorge E. Marxismo e Anarquismo, Duas Versões Divergentes do Socialismo. Disponível na internet via www.URL:

http://www.agrorede.org.br/ceca/edgar/MARXISMOEANARQUISMO.html

• Woodcok, George. História das Idéias e Movimentos Anarquistas, vol. 01 – São Paulo: LP&M. 280 p



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sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Sêneca - A Brevidade da Vida



Li este livro achando que ele falaria sobre a morte, sobre estarmos preparados para ela. Mas na verdade este livro nos ensina a dar valor ao tempo e consequentemente a vida.

Com questionamentos e afirmações como: Quantos dias você dedica a si mesmo? Ninguém te devolverá o tempo cedido! Ninguém recupera o tempo perdido! O homem ocupado não se aprofunda em nada!

Ou então: 

"Muito breve e agitada é a vida daqueles que esquecem o passado, negligenciam o presente e temem o futuro". "Nada está mais longe do homem ocupado do que a vida..., quando chegam ao fim, percebem que estiveram ocupados fazendo nada".

Este livro é simplesmente foda, é um livro para quem quer conhecer a si mesmo olhando pro próprio passado com outros olhos, é um livro que nos dá consciência que o presente é curto, quando você me os espera ele já passou, mas se nós reconhecermos as falhas do passado, não cometeremos os mesmos erros e teremos uma vida no futuro orgulho daquilo que vivemos e estaremos preparados para a morte.

Se hoje fosse o dia da tua partida, o que você fez com a tua vida ou com o seu tempo? Cedeu para outros que nunca te devolveram? Onde você está agora é onde você gostaria de estar? A quem você serve você gostaria de servir? O que você faz é escolha sua? 

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quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

O Santo Inquérito


Dias Gomes me fez sorrir e lamentar durante a leitura desta obra. O sarcasmo e a perspicácia dos personagens refletem a própria alma do autor.
Santo Inquérito nos apresenta várias lições de vida. Nós faz lembrar das diversas decisões que tomamos ao longo de nossa história, vale a pena brigar pelo que é certo, mesmo que isso te custe a vida?
Você prefere ter paz ou ter razão? Você prefere vencer um debate ou fazer-se burro para ser sábio? Quando é melhor assumir uma pequena culpa que você não tem para se livrar da grande injustiça que ter razão lhe trará?
Leia este livro e reflita nas guerras que travou, nas decisões que tomou, nas respostas que deu e se tudo valeu a pena! Boa leitura!

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Foco

 


Um livro necessário nos dias atuais. Um livro que fala diretamente com o leitor sobre seu dia a dia e faz repensar atitudes e hábitos.

Um livro que tem poder para transformar a vida de uma pessoa que vive na correria, fazendo mil coisas ao mesmo tempo e não dando a devida atenção a nada.
Um livro para quem deseja melhorar nos relacionamentos interpessoais e também consigo mesmo, devolvendo o prazer pelas coisas simples, fazendo o leitor perceber que precisa viver o aqui e agora.
Daniel Goleman foca no que é importante e faz o leitor perceber que mudar é importante e urgente ou terá que conviver com perdas, traumas e esquecimentos que machucam a alma. Ajude-me a continuar este trabalho de leitura e indicação de bons livros, comprando este título através do meu link de Associado Amazon.
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Detalhes do produto:

  • Editora : Objetiva; 1ª edição (7 janeiro 2014)
    Autor:     Daniel Goleman
  • Idioma : Português
  • Capa comum : 296 páginas
  • ISBN-10 : 8539005352
  • ISBN-13 : 978-8539005352
  • Dimensões : 23 x 16 x 1.6 cm

O Poder do Hábito

 

Um livro para quem deseja não somente adotar novos hábitos, mas também para quem deseja abandonar alguns.
Um livro que nos ajuda a tomar consciência de coisas que fazemos por hábito e não percebemos e nos ajuda a criar novos hábitos de forma consciente.

Para ser mais prático, tenho observado meu comportamento ao chegar em casa, conscientemente ao entrar troco as sandálias, guardo a chave, vou até o escritório guardo a carteira e o celular, vou até o banheiro pra deixar a camisa no balde. Adquira este livro através do meu link de Associados da Amazon e me ajude a continuar este trabalho de leitura e indicação de bons livros. https://amzn.to/3iSC1kd

Essencialismo

Li este livro em novembro, foi como se estivesse assistindo reprises de minha própria vida e revendo compromissos criados e/ou assumidos sem que eu tivesse a mínima vontade de dizer sim. o livro faz um debate justo do conceito de prioridade e mostra que muitas vezes, menos é mais.
É quando você se pega pensando nas responsabilidades que você tem e o autor pergunta: Você tem mesmo? Tem que ser você? E se você tivesse dito não? Faz mais do que isso, ele te dá razões para dizer não, diz quando dizer não e principalmente como dizer não e respirar suavemente a sensação gostosa de ter se livrado de um compromisso que não deve ser seu.
Não se trata de egoísmo ou não ajudar o outro, trata-se apenas de exercer de fato o que é prioridade com mais dedicação, tempo e verdadeiro compromisso. Se trata de não esquecer reuniões, não esquecer ligações e ter tempo para amigos, família, lazer e fazer o que tem que ser feito direito.
Se você é aquela pessoa que acha que é vista como "correria", que está sempre ocupado, resolvendo mil coisas ao mesmo tempo e as pessoas vivem reclamando que você esqueceu de ligar, você esqueceu o encontro ou vive desmarcando coisas porque surgiu um imprevisto, pare tudo e leia este livro! Sua vida está uma bagunça, você precisa reorganizar e este livro vai mudar sua rotina e seus relacionamentos!
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sábado, 23 de janeiro de 2021

Impiechment não é o melhor caminho.

 Em 2014/15/16 diversos amigos me disseram que um processo de impiechment seria ruim para o Brasil, que ia quebrar a confiança no país e que investidores deixariam o Brasil. Olhando para o passado vejo que vocês tinham razão, o impiechment foi um erro, mas culpo a própria presidente pelo processo que ela recebeu, foi ela e o PT que se aliaram com Cunha e Temer para vencer eleição a qualquer custo e a conta chegou. 

Agora porém, vejo esses mesmos amigos querendo um processo de impiechment contra o atual presidente. Se um processo de impiechment após 30 anos do de Collor vocês disseram que seria ruim pro nosso país, agora vão me dizer que um processo apenas 5 anos depois do de Dilma será bom? Sabe o que eu acho, que ficar falando em impiechment arruína ainda mais o país que ainda não se recuperou do último processo.

O PIB do Brasil com Dilma em 2011/12/13 estava acima de 3% sendo que 2011 foi 7%. Com Temer e Bolsonaro sequer chegou a 2%. E toda essa merda começou em 2014 com a guerra de Cunha contra Dilma até o impiechment. Como vocês querem um novo impiechment se ainda nem nos recuperamos? Desde de 2014 que temos um PIB pífio, aumento do desemprego, aumento da informalidade, fome... 

É melhor não desgastar nosso país com mais um processo e nos organizarmos para vencer as eleições no voto. Centro, Centro esquerda, Esquerda precisam sentar, conversar e já trabalhar um nome que possa vencer nas urnas o atual presidente. Precisamos é de bons candidatos (as) e não de novas Janaínas. Outra coisa, mesmo com queda de popularidade, o louco conta com mais 30% de popularidade, enquanto Dilma tinha 8%. Não vai rolar, esqueçam isso!

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Resumo do Livro A Cidade Antiga


    
   Fustel de Coulanges (1830-1889) é um dos mais importantes historiadores franceses. Lecionou na Faculdade de Letras de Estrasburgo e na Sorbonne, ocupando a cátedra de História Medieval, criada especialmente para ele. Em 1853 dirigiu algumas escavações em Chios e escreveu uma nota histórica sobre a ilha. Depois de seu retorno, ele desempenhou vários trabalhos educacionais, e adquiriu título acadêmico de doutor.

  Segundo o autor, a obtenção do verdadeiro conhecimento dos gregos e dos romanos, exige que os estudemos sem a idéia fixa de considerá-los como nós, dado o fato de sermos seus herdeiros culturais; é preciso estudá-los como se nos fossem inteiramente estranhos. Ou seja, Fustel, com isso, tem um olhar sobre a história desses povos sem preconceitos, sem anacronismos e principalmente um olhar que não visa comparar esses povos a outros com intenção de classificar como superior ou inferior, civilizado ou atrasado, explicando melhor: Ele não é etnocêntrico.

 Um outro principio que norteia os estudos de Coulanges, é a necessidade e condição sine qua non de considerar as crenças religiosas desses povos para compreender suas instituições em geral, sem o que estas surgirão obscuras, extravagantes e inexplicáveis diante de nossos olhos. Sim, e é justo isso que faz o autor, através de uma análise profunda já no primeiro capitulo sobre as crenças a respeito da alma e da morte, o culto dos mortos, o fogo sagrado e a religião doméstica.

  Fustel foi muito feliz em fazer está consideração, pois seus estudos revelam que por outro caminho é impossível compreender as instituições gregas e romanas, pois as noções de direito dessas cidades são baseadas nos costumes da religião doméstica, a propriedade, por exemplo, está vinculada ao culto doméstico, as divindades do lar, que segundo o autor são os antepassados da família que ascenderam a posição de deuses após a morte e mesmo após o óbito esses antepassados possuem seus direitos, pois, “o solo onde repousam seus mortos é inalienável e imprescritível.”

 Não compreenderíamos, por exemplo, as questões sobre casamento, divórcio e herança entre esses povos sem um estudo da alma desses povos, um estudo com intenção de conhecer aquilo em que essa alma acreditou, pensou e sentiu nos diferentes estágios da vida do gênero humano. Por isso, é que seriam coisas obscuras ou até mesmo extravagantes, pois como entenderíamos também um rei que não tinha funções políticas em alguns momentos da história, como entender que este rei era apenas o sacerdote quando temos a noção devido a ensinamentos incorretos durante nossa vida escolar, que reis são pessoas que obtém poder político e absoluto, generalizando assim, sem fazer um estudo especifico sobre os reis, épocas de reinado, lugar e cultura. 

  Até mesmo para entender a formação das cidades desses povos é necessária a compreensão das crenças religiosas, pois cada família tinha um culto especial do qual estranhos não era bem vindos, poderiam profanar o templo ou o culto, duas tribos também não podiam se fundir, as famílias só passaram a associar-se entre si, com a condição de que o culto de cada uma fosse respeitado. Porém essa associação só era possível se houvesse um deus em comum entre as famílias, pois, com certeza, é certo que foi o culto que constituiu o vínculo dessa nova associação. E, segundo Fustel “No dia em que se fez essa aliança, a cidade começou a existir”.

 A Cidade Antiga, devido a toda essa contribuição para o entendimento não apenas das instituições gregas e romanas, mas também dos aspectos particulares do culto doméstico, do direito privado e civil, da formação das cidades e das relações entre elas, é de fundamental importância para todos os estudantes de história, direito, filosofia, sociologia, teologia e outras ciências humanas, também é uma obra que considero importante para ser lida por não acadêmicos, pois nela encontramos exemplos de respeito à família, a propriedade e ao culto dos outros.

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terça-feira, 18 de agosto de 2020

Mais do mesmo!



 O governo Bolsonaro é um novo governo, voltado agora à reeleição, lembra dos gastos de Dilma em 2013 para se reeleger em 2014? Bolsonaro está chamando o PAC dele de Pro-Brasil, o objetivo é de agora em diante percorrer o país com obras federais, investimentos públicos e fazer campanha para reeleição. Pra isso, ele já ameaça furar o teto de gastos, os liberais já abandonaram o barco, Paulo Guedes ou vai sair ou terá que negar a si mesmo.



Isso é está tão claro quanto a luz do sol. A diferença entre esquerda e direita em relação a gestão no Brasil, se dá quando um está no governo e o outro na oposição, quando trocam de lugares são parecidos e o motivo disso é a reeleição, a receita para se reeleger é usar a máquina e aumentar os gastos públicos, mesmo que de forma irresponsável. O país se beneficia por um momento e paga a conta depois.


Bolsonaro disse que não queria ser reeleito, que ia fazer as reformas, mas só depende dele enviar a reforma administrativa pro congresso, está segurando, pois o objetivo mudou, as intenções mudaram, na verdade mudou para quem ele conseguiu enganar com esse papo de que não queria se reeleger. Todo governo é assim, manda pro congresso pautas difíceis no primeiro ano ou até meados do segundo e depois trava, com medo de perder votos para reeleição. Pra ele mandar ou não essa reforma do congresso vai depender das pesquisas eleitorais. Raramente um governo em campanha corta gastos, ele aumenta. Estou torcendo pela reforma administrativa, o Brasil precisa dessa reforma, vamos acompanhar cenas dos próximos capítulos.

Estamos na merda!

O novo governo Bolsonaro é o antigo governo Dilma, até mesmo na articulação da fala eles são semelhantes, ele não consegue expor as ideias sem se atrapalhar todo. A diferença é que ela sofreu o impiechment por não se dobrar ao Centrão, como Lula queria, e ele se rendeu ao Centrão para não sofrer impiechment.

Teremos o PAC de volta com nome de Pró-Brasil.
Ampliação do Bolsa Família e novo nome Renda Brasil.

Os liberais já abandonaram o governo, sobrou o Centrão, adicionado recentemente, os militares e os olavistas empregados no Ministério da Educação, uma espécie de cala boca.

Enfim, este governo está dizendo que o problema não era o caminho que governo Dilma percorria e sim o fato dela percorrer esse caminho sem eles. Sem Bolsonaro e sem o afago de Dilma aos deputados do Centrão, liderados por Eduardo Cunha.

Acabou a fantasia de mito, de anti-política, anti-sistema, voltamos ao velho sistema, ao jogo da velha política. E neste caso, cabe até elogios ao Bolsonaro, está sendo mais esperto que a Dilma, vai completar seu governo e pode até ser reeleito, mas fazendo o que condenou na campanha anterior, política.

A preocupação da esquerda agora é tentar dizer que o programa de transferência de renda é da esquerda, já que não poderá dizer que se reeleito Bolsonaro vai acabar com o Bolsa Família. Neste caso, se PSDB e DEM forem de esquerda e comunista como afirmam os militantes Bolsonaristas, então é de esquerda mesmo, já que as transferências de renda vem desde as bolsas e vales do governo FHC.

Não acho o povo estúpido, como afirmou um jornalista, é como disse o Lula certa vez, "o povo vota com o estômago". O povo vai votar em quem dá mais, Ciro ofereceu nome limpo e Bolsonaro ofereceu 13° do Bolsa Família. Haddad visitava Lula na prisão durante a campanha e Bolsonaro prometia convidar quem prendeu Lula para Ministro.

Agora Bolsonaro vai ampliar e rebatizar o Bolsa Família, o que a oposição fora do poder tem para oferecer? Estamos prestes a ver mais uma vez o Brasil dividido, só que dessa vez Norte e Nordeste poderá estar com Bolsonaro e Sul e Sudeste poderá estar contra. O que temos para fazer oposição ao Bolsonaro?

O Ciro, meu candidato, vive atirando no próprio pé desde sua primeira tentativa ao planalto, o Haddad já provou não ter força suficiente, a Marina não consegue fazer uma campanha vencedora, cai com qualquer fakenews, Dilma e PT fizeram isso com ela em 2014, Dória eu não queria nem administrando minha pequena biblioteca, Rui Costa não consegue comprar respeitadores sem ser enganado por empresa de fachada, ACM Neto não teve coragem nem de concorrer ao governo contra Rui Costa pois sabia que ia perder.

Estamos na merda!

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Desmontando Farsa Bolsonarista

 

     Para desmontar a farsa, é preciso voltar até 8 de abril, quando o ministro Alexandre de Morais atendeu a um pedido através de ação da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB, que solicitava a proibição das interferências pessoais do presidente Jair Bolsonaro nas decisões dos governadores, prefeitos e do próprio Ministério de Saúde (que até então tinha um ministro da saúde que tentava seguir as recomendações da Organização Mundial de Saúde), que os militantes bolsonaristas vem propagando uma fakenews dizendo que o governo federal pois foi proibido de agir para combater a COVID-19 e por isso, não tem responsabilidade com as mortes.

    É preciso também, voltar um pouquinho mais e lembrar que o Congresso Nacional aprovou o pedido de reconhecimento de calamidade pública, autorizando o governo federal a aumentar os gastos acima dos limites das metas fiscais previstas na Lei de Responsabilidade Fiscal, dando ao governo a possibilidade de garantir a saúde, o emprego e renda da população.

    Logo após este fato, a própria OAB solicitou ao STF através de Petição, que o governo federal apresentasse as medidas que haviam sido adotadas e também que promovesse benefícios emergenciais para desempregados, trabalhadores autônomos e informais e que respeitasse as decisões da área técnica do Ministério da Saúde do próprio governo, haja vista, o presidente fazia lives e pronunciamentos afirmando “voltem a normalidade”, enquanto OMS e o seu próprio Ministro da Saúde rezava pelo isolamento social. (Petição da OAB https://static.poder360.com.br/2020/04/pedidodaoab_ADPF-672.pdf.pdf

    No dia 08 de abril, quando o Ministro decidiu sobre o tema, proibiu o presidente Bolsonaro de ‘interferir na área técnica do Ministério da Saúde e interferir nas decisões dos governadores e prefeitos que seguiam as recomendações desta área técnica do governo e também da Organização Mundial da Saúde’. Porém em momento algum, o governo federal foi impedido de atuar no combate ao coronavirus, foi proibido de interferir nas decisões de sua área técnica e, deveria sim, continuar trabalhando para garantir a saúde, o emprego e a renda da população.

    Diante deste fato, o presidente teria que respeitar as recomendações técnicas do seu Ministério da Saúde, então buscou mudar essas recomendações demitindo o médico Henrique Mandetta da pasta no dia 16 de abril e nomeando outro médico Nelson Teich em seu lugar. Porém, ao analisar a situação da pandemia em nosso país, o novo ministro que na primeira semana tentou conciliar as medidas com as vontades do presidente, teve que também recomendar o isolamento social como medida de prevenção e combate a pandemia.

Vejamos o que afirmava o Ministro Nelson Teich e seu assessor especial àquela época:

 “Temos uma diretriz pronta, um ponto de partida, mas não dá para você começar uma liberação (social) quando você tem uma curva em franca ascendência.” (Nelson Teich, Ex- Ministro da Saúde, 30 de abril de 2020)

“Qual a avaliação do ministério? Se nós estamos diante de uma doença onde não há, ainda, um tratamento específico, onde não há prevenção, não há vacina, resta o quê? O isolamento social” (Denizar Viana, secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde do Ministério da Saúde)

Denizar era responsável pelos estudos sobre a eficácia da Cloroquina e logo após essa declaração foi exonerado do cargo, o presidente recomendava o uso do medicamento como tratamento específico e se continuasse a defender contrariando a área técnica, iria desrespeitar a ordem do STF. A solução foi exonerar o médico do cargo que ocupava, porém o ministro Teich, que era seu amigo, o nomeou seu assessor especial desfazendo a injustiça.

Mas não parou por aí, o presidente passou a forçar a saída do Ministro Teich, pois queria fazer recomendações contrárias ao que o médico recomendava no Ministério, quais eram:

Teich: Isolamento Social   x Bolsonaro: Voltem a normalidade

Teich: Cloroquina somente  último caso  x    Bolsonaro: Queria mudança no protocolo

Teich: Manteve lista de serviços essenciais x Bolsonaro: Queria reabrir academias, barbearias e salões de beleza

Como Bolsonaro não poderia contrariar a área técnica do governo para não ferir decisão do STF, ele forçou o pedido de demissão do Ministro Nelson Teich e para não ter mais problemas e correr o risco de ferir a decisão de área técnica, o país está até o dia de hoje sem médico no comando do Ministério da Saúde, tendo um general do exército como ministro interino e que teve como primeira medida mudar o protocolo referente ao uso da cloroquina para ficar de acordo com o gosto do presidente, assim ele conseguiu o que queria sem ferir a decisão do STF.

Então, por qual motivo os bolsonaristas propagam, agora com mais força, a fakenews desinformando a população, ao afirmar que o governo federal está proibido de atuar no combate ao coronavirus? Pelo simples fato de que, após seis meses de pandemia, mesmo com a autorização para gastar acima dos limites da lei de responsabilidade fiscal, o governo não investiu nem 30% dos recursos disponíveis para o combate a COVID-19. Até o dia 3 de julho, o governo havia investido 11,5 bilhões dos 39,3 bilhões que o próprio governo afirmou ter liberado para o combate.

O próprio ato de liberar recurso, já prova que o governo não está impedido de atuar no combate a pandemia, como afirmam os militantes bolsonaristas, mas foi preciso criar esta fantasia para justificar a não utilização dos recursos diante do assustador crescimento do número de mortos pela doença. Então, para livrar o presidente da responsabilização social, a fakenews propagada visa desviar o foco para governadores e prefeitos que seguiram as recomendações dos médicos e ex-ministros da saúde Teich e Mandetta e também da Organização Mundial da Saúde. Tentando assim, limpar a imagem, não do único, mas o principal responsável pela desordem e caos no país, o presidente Jair Messias Bolsonaro!


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